Nov 23, 2017 Last Updated 6:03 PM, Feb 11, 2017

REPERCUSSÃO SOBRE O FIM DO MINC

                                                                    

OA Junção do Ministério da Cultura (MINC) com o Ministério da Edução é um retrocesso de 30 anos de conquistas do setor cultural em nosso país. E Por mais que as opiniões políticas estejam acirradas, nesse caso não se trata de partidarismos, mas sim da defesa do desenvolvimento cultural de nosso país. 

 

Wagner Moura, ator, em entrevista a O Globo

“Já era de se esperar. Tem havido um movimento desonesto de convencimento público da desimportância da cultura e da criminalização dos artistas que fazem uso da Lei Rounet (que contraditoriamente é uma lei de viés neoliberal que estava sendo revista pelo MinC). A ideia de que o MinC e as leis de incentivo à Cultura não passam de uma maneira do governo sustentar artista vagabundo e comprar seu apoio político ganhou extraordinária e surpreendente aceitação popular.”

Danilo Santos Miranda, diretor do Sesc SP, em entrevista à Folha

“Sou contra. A fusão desvalorizaria a cultura porque ela não seria considerada importante estrategicamente.”

Carlos Augusto Calil, crítico, ensaísta e ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo

“A cultura não é propriamente subordinada à educação: pode alavancá-la, desde que seja tratada da mesma maneira. (…) A fusão com o MEC é a decisão mais preguiçosa.” Para a Folha, porém, eledefendeu uma junção da pasta da Cultura com o Ministério das Comunicações ou Ciência e Tecnologia.

Luiz Carlos Barreto, produtor cinematográfico

Na mesma matéria para a Folha, propôs a fusão do MinC com o Ministério das Comunicações: “Nesse mundo massificado, a cultura não é mais coisa de salão: é elemento essencial dos meios de comunicação”.

Wolf Maya, diretor de TV e teatro, em entrevista a O Globo

“Sinto que o nosso MinC que já ultrapassou a maior idade e que sempre teve uma representatividade importante no processo cultural brasileiro, nosso Ministério que representa e orgulha os criadores de cultura, possa voltar a ser uma Secretaria do MEC. Como tantas Secretarias estaduais que foram perdendo a importância. É terrível!”

Alfredo Manevy, diretor-presidente da SPCine, em artigo para o site Cultura e Mercado

“Ao que parece, eliminar o Ministério da Cultura já se confirma como um dos primeiros atos do governo Temer… sem debate ou consulta, uma canetada promove hoje um retrocesso de 30 anos. (…) O que se destrói num decreto, demora-se muitas vezes uma década para reconstruir. O acúmulo de uma organização, seja pública ou privada, leva enorme tempo para se (re)construir.(…) A implosão institucional da estrutura funcional do MinC, de servidores, da estrutura de pareceres e análises, é passaporte seguro para o clientelismo, para a falta de critérios, para o balcão e cooptação que marcou as relações Estado e cultura até o fim do século passado.

Odilon Wagner, ator e vice-presidente da Associação de Produtores Independentes, em artigopara O Globo

“A notícia da junção do Ministério da Cultura com o da Educação choca. Essas duas áreas devem continuar independentes e cada vez com mais investimentos, porque são estratégicas para o desenvolvimento sustentável de nosso país. Existem ministérios em excesso, sem dúvida, e é compreensível e desejável que se unifiquem, dando um fim a essa prática deplorável de se criar cargos para empregar aliados políticos. Mas esse não foi o caso do Ministério da Cultura. A ideia de tirar o protagonismo da cultura, engavetando-a na pasta da Educação, que tem outras prioridades, mais do que desrespeito, é ignorar que se trata de demanda emergencial no Brasil.”

Manifesto do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Municipais de Cultura das Capitais e Regiões Metropolitanas 

“Postulamos, qualquer venha a ser a estrutura de ministérios necessária para atravessarmos o momento pontual de crise, que seja mantido o Ministério da Cultura, mesmo com ajustes internos em sua estrutura. Todo o esforço que o país fizer em termos de desenvolvimento econômico será sem efeito para o conjunto da população se não considerar os aspectos culturais do desenvolvimento.”

 Cacá Diegues, cineasta, em entrevista a O Globo

“Acho o fim do MinC um retrocesso histórico, uma incompreensão do que seja educação e cultura, de que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Simplificando, a educação prepara as pessoas para o mundo real, enquanto a cultura estimula a inventar outros mundos. Botar as duas coisas juntas, como se fossem uma coisa só, é um retrocesso acadêmico, uma incompreensão do mundo moderno e do futuro.”

 Anna Muylaert, cineasta, também em entrevista a O Globo

“Uma avaliação, neste momento, é algo prematuro. Porém, Educação e Cultura são coisas tão diferentes que, a princípio, me parece um retrocesso. Educação lida com formação, e Cultura tem relação com o povo, cultura mesmo. Olho com maus olhos.”

Maria Adelaide Amaral, dramaturga, na mesma matéria de O Globo

“Considero um retrocesso. Sou favorável à redução de ministérios, mas a Educação já tem problemas demais para um ministro concentrar também a pasta da Cultura. O mais provável é que ela, a Cultura, seja negligenciada.”

Fernando Meirelles, cineasta, também para O Globo

“Todo mundo acha que o Brasil precisa diminuir o número de ministérios mas ninguém quer perder o ‘seu’ ministério. Na cultura deve acontecer o mesmo. Imagino que meus colegas tenderão a não gostar da ideia. Não sei qual seria o plano e o que isso pode gerar de perdas para a produção cultural, mas me ocorre que, para a educação, estar mais ligada a cultura pode ser interessante e há maiores chances disso acontecer se houver uma cabeça pensando ambas as áreas. Talvez nem seja tão bom para os produtores culturais, mas se for bom para a educação, se alunos tiverem mais acesso a cultura, já estaria valendo. Vamos ver o que vem.”

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, em entrevista ao UOL

“Eu criaria uma agência de cultura brasileira. Não adianta, [o problema] não é circunscrito ao MinC, à pasta. E é um trabalho que tem que ter uma ascensão sobre praticamente todos os ministérios. Não estou propondo com isso a criação de um outro espaço burocrático, ao contrário. Criar um espaço no qual a cultura tenha um tratamento de política pública, e a gente precisa defender isso. Porque é interdisciplinar, é matricial, é orgânico, é articulador, gerador de política.”

Francisco Weffort, ministro da Cultura no governo de Fernando Henrique Cardoso, em matéria de O Globo

“A fusão não beneficia nenhum dos dois lados. O estado brasileiro tem muita dificuldade em reconhecer a importância da Cultura, e em consolidar uma política cultural. É preciso tomar cuidado para evitar mudanças nas leis de incentivo, mudanças que tenham impacto nas deduções fiscais. Mas não acho que a integração vai afetar essa questão do financiamento; as leis de incentivo e os fundos de cultura não devem ser alterados.”

Sérgio Paulo Rouanet, secretário de Cultura entre 1991 e 1992, quando o MinC perdeu o status de ministério, também em entrevista a O Globo

“Cultura é fundamental em qualquer país, sobretudo nesta fase surreal da política brasileira. A melhor maneira de realçar a cultura não seria através da criação de uma nova burocracia”

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